Conexão, leveza e yoga kemética

No começo do ano passado, quando eu frequentava academia mas não curtia aparelhos de ginástica, eu fui apresentada ao “body balance” ou “body flow”, uma atividade física que mescla tai chi, yoga e pilates. Parece delicioso e sim, é delicioso. Por mais que seja acompanhado, na maioria das vezes, por músicas frenéticas, trabalha fluxos de movimentos que se interligam, alongam, aquecem o corpo e nos ajudam a desenvolver consciência corporal.

Não tem nada de errado em praticar o body balance, é inclusive muito bom! Mas quando tive contato com a YOGA KEMÉTICA, me encontrei em exercícios que também são interligados, nos alongam e aquecem, mas que possuem um diferencial: nos reaproximam de energias ancestrais. Foi quando eu entrei no complexo:

Por que eu faço body balance se posso fazer yoga kemética?

Extraída diretamente dos hieróglifos presentes nas pirâmides egípcias (o que é incrível), a yoga kemética ou ioga egípcia, é uma prática, filosofia e ciência milenar, que sempre objetivou a busca por iluminação e conexão com nossos ancestrais. Depois que conheci e experimentei, não fez mais sentido, voltar para as práticas ocidentais da yoga. 

Sequência suave e restauradora – 20 Minutos de Yoga Kemética Flow

O conceito “alcançar iluminação através da yoga e meditação” não se distancia do que a yoga indiana e ocidental trazem, porque o movimento migratório do homem em direção à Ásia, teve origem na África. Isso significa que o homem que surgiu na África subsaariana, passou pelo Egito, ou melhor, por Kemet, antes de alcançar a Índia. A yoga que temos popularizada, como muitos outros elementos culturais, possui origem africana!

Sendo assim, essa prática tão comercializada e que se tornou um sonho de consumo para muitas pessoas, passou por dois processos de colonização. Primeiro, sofreu alterações quando o homem africano alcançou a Índia, e depois, quando a mesma prática chegou nas américas.

Algumas posições continuam com o mesmo nome, como a Trikanasama (triângulo), outras ganham variações, do mesmo jeito que  khepra pose (nome kemético) se tornou supta virasana (nome indiano) ou reclining hero (nome ocidental). Tiveram também posições que eram praticadas em Kemet, foram perdidas e ressurgiram, como a posição da imortalidade ou a pose maat

KEMET é uma tradução de KM.T (hieróglifo egípcio escrito em medu neter) e era também o nome original do Antigo Egito, época dos faraós, e significa “Terra Negra”. Infelizmente, isso não chega a nós pela escola e por uma vantagem de acesso a informação, chegou a mim e posso transmitir a vocês. Afinal, nossas tradições, ritos e histórias sempre foram mantidos e propagados dessa forma.

Por mais difícil que ainda seja acessar essa prática no Brasil (porque diferente do que temos com a yoga popularizada, não existem muitas vídeo-aulas, tão pouco em português), eu apresento por meio deste texto a vocês que não conhecem, e reforço aos que conhecem, para que o número de praticantes, mesmo que caseiros (tomem devidos cuidados) aumentem as nossas chances de recuperarmos cada vez mais essa tradição.

Vale pontuar também que precisamos (comunidade negra) mirar em uma trajetória cada vez mais leve. Mesmo que a evolução não seja linear, considerando a exaustão e as feridas que o racismo nos gere, podemos tentar desenvolver um processo para amenizar e suavizar a nossa trajetória e a yoga kemética pode ser nossa ferramenta para.

Sonho que a gente fale cada vez mais a respeito, para que a produção de “conteúdos keméticos” tome maiores proporções. Inclusive, trouxe abaixo as minhas referências no assunto!

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(PORTUGUÊS | ENGLISH) MEMÓRIAS DA KEMETIC YOGA Na formação de instrutores realizada pela Kasa de Maat, os futuros instrutores de Kemetic Yoga têm meses de encontros virtuais antes da imersão presencial. Esses encontros foram fundamentais para nos reconectar com conceitos da cultura africana e princípios básicos da filisofia kemetica. Na imersão presencial, são mais de 12 horas por dia de teoria e práticas de yoga. O céu muda de cor enquanto recebemos yoga na veia. E tem muito, muito mais: processos de limpeza, nutrição, convivência coletiva, tudo isso aos moldes africanos. Impossível sair daquele espaço sem alguma mudança interior. Como o vídeo mostra, é muita dedicação, muitas amizades, muito amor, muita Kemetic Yoga! Agora, a Kasa de Maat abriu um estúdio do Rio de Janeiro, onde muitos dos instrutores estão devolvendo para nossa população, o que já incorporou durante a formação. Consciente que o caminho pra frente é longo e que é muita responsabilidade levar adiante conhecimentos Ankhcestrais Dua Netcher Dua Kasa de Maat e Rosa Natalino! Dua Mestre! Siga também: @nanaraiz @rekhetyoga @essencialindadoeu.isis @sir.lene.santos @_neferhawk @anarita.malkiia @solcrespoart @ryon ************** MEMORIES OF KEMETIC YOGA In the training of instructors carried out by Kasa de Maat, future instructors of Kemetic Yoga have months of virtual meetings before the immersion in person. These meetings were fundamental to reconnect us with concepts of African culture and basic principles of kemetic philosophy. In face-to-face immersion, we have more than 12 hours a day of yoga theory and practices. The sky changes color while we receive yoga in the vein. And there is much, much more: cleaning processes, nutrition, group activities, all in an African way. Impossible to leave that space without any inner change. As the video shows, it is a lot of dedication, a lot of friendships, a lot of love, a lot of Kemetic yoga! Now, Kasa de Maat has opened a studio in Rio de Janeiro, where many of the instructors are returning their knowledge to our population. Dua Netcher Dua Kasa de Maat e Rosa Natalino! Dua Mestre Yiser #kemeticyoga #yogaskills #kemeticyogabrasil #yo

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Espero que algum ponto desse texto eu tenha despertado em você o interesse por essa prática!

Agradeço a Vinícius Nunes e Harun Azizi, por me ajudarem na construção dessa matéria!

Aniké Pellegrini
Aniké Pellegrini

REPÓRTER AFROFUTURISTA. 
redatora | storyteller | social media | produtora de conteúdo digital

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