Já experimentou ler as histórias que as marcas contam?

Esses dias, mais concretamente, por meio de um comentário de conhecido, reparei que as marcas de acne que trago no rosto, geram desconforto nas pessoas, geram em mim também, mas parece que é bem menos que no outro, talvez eu já tenha aprendido a conviver com elas e aceitá-las, mas isso me gerou uma reflexão.

A “sociedade” cobra um modelo de beleza construído em cima de corpos e traços que não são nem de longe a realidade da população e a indústria lucra com as nossas inseguranças, os sinais, marcas, manchas são algumas delas. 

O rosto sem marcas e manchas, axila clarinha, a cicatriz imperceptível. O problema não está em querer não ter, e nem em cuidar para não ter ou amenizar, mas em não entender que vamos ter permanente ou em algum momento da vida, porque não somos robôs. E que não é vergonha e nem falta de cuidado.

Comecei a ter acne depois dos 23 anos por conta de distúrbio hormonal. Atualmente trato o hormônio e a acne, mas não é uma solução fácil, elas sempre somem e reaparecem um tempo depois. Eu tenho 30 anos e um rosto que para além de somente marcas, conta sobre alguns fatos da minha vida. Volta e meia ouço comentários sobre elas, por redes sociais, pessoalmente, de conhecidos, amigos, desconhecidos, minhas marcas nunca passam dispercebidas, sempre tem alguém para passar uma receita caseira, perguntar se já fui no médico x ou y, ou apenas dizer coisas desagraáveis mesmo. Pq eu não as escondo, assim como não escondo minhas olheiras e algumas outras marcas que são minhas, porque tudo isso também me constroe.

Estamos no final de setembro, mês marcado pela luta pela prevenção ao suicidio, onde surgem correntes em redes sociais, publicações falando de saúde mental, pessoas dizendo para enviar mensagem caso precise conversar. Mas leitor, quero te fazer uma pergunta, você já parou para reparar para além de estética, marcas trazem histórias e contam um pouco sobre quem as carrega?. Seja sobre sua saúde, sobre um acontecimento antigo ou atual, pare um pouco e repare, veja as lacunas das histórias que não são contadas verbalmente.

As minhas marcas podem contar que além de ter problemas com hormônios eu também tenho ansiedade, e nos momentos de crise eu mexo no rosto, por isso existem marcas, meses mais, meses menos, mas elas estão ali e me lembram que até hoje eu resisti a todas essas crises e aos meus piores dias, e que junto com elas cicatrizaram também as dores.

Eu aceito minhas marcas, como tudo que existe em mim, e isso não quer dizer que eu não vou cuidar ou que eu não devo melhorar, mas que eu aceito a minha história, aceito minha imagem, aceito minha estética. Tenho marcas de acne, tenho olheiras que contam sobre as noites viradas estudando, e os pés de galinha que mostram que estou passando dos 30 e tudo bem. É o ciclo natural da vida.

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *